Sangue de Todas

Daniella Tinório

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Em cores de sangue, preto e dourado, Daniella Tinório propõe a criação de uma coleção da DMAMACITA para discutir a ancestralidade e o poder da mulher negra. A produção, em tempo real na Galeria Melissa, leva a periferia ao centro mais nobre de São Paulo e aponta para o processo manual e artesanal da moda.

"Sangue de Todas é uma coleção que discute o sagrado e o profano na realidade da mulher negra e levanta o meio-fio que paira entre os dois. Sagrado; a mulher negra é a origem de tudo. Tudo se inicia e termina com ela. E profano; a sociedade hipersexualiza seu corpo curvilíneo e tenta, o tempo todo, negar e reprimir suas capacidades. Meu projeto é a superação dessas duas realidades. O vermelho sangue das roupas reflete o sangue que essa mulher derrama antes de parir e o sangue que ela derramou desde os primórdios, desde a escravidão no Brasil. A coleção denuncia o sangue que ela derrama para pertencer a sociedade e o sangue que arrancam dela, diariamente, com agressões. É o sangue de todas que nos iguala como seres humanos. Vou mostrar quem são essas mulheres, as donas do início, meio e finais contínuos. As mulheres reais, que geram e fazem os benditos frutos crescerem e deixarem legados."

 

O projeto:

Mostrar a mão de obra envolvida na fabricação de uma coleção da marca DMAMACITA e, ao mesmo tempo, discutir o papel da mulher negra e periférica no mercado de moda. As peças são feitas ao vivo e a mão, os tecidos, escolhidos a dedo, e, os tamanhos, abrigam todos os corpos. Ainda assim, quem faz também consome.

 

"O projeto expõe a visceralidade da mulher negra na sociedade metropolitana enquanto tenta ocupar espaços que lhe são negados todos os dias. Ocupando a Galeria Melissa com mulheres da minha realidade - negra, pobre e periférica - eu questiono os processos da indústria da moda e defendo a produção familiar. Mulheres que fazem e também podem consumir o produto, não sendo um processo alienado."

 

  

Funcionamento:

Durante um mês, 3 costureiras da DMAMACITA ficarão alocadas na Galeria Melissa mostrando a produção manual da coleção Sangue de Todas, fora dos padrões fast-fashion, enquanto são debatidas questões de gênero, raça e a indústria da moda. As peças finalizadas são expostas na parede da galeria e os visitantes poderão usar #sanguedetodas para espalhar o conceito da moda familiar e de seus questionamentos pró mulher brasileira. O processo e discussões levantados no espaço serão documentados em vídeo. 

 

 

Projeto refletido por Daniella Tinório com a conexão de Nátaly Neri