Horda Anônima

Aline Tima

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Ao compartilhar suas máscaras de tricô como "dispositivos performáticos de resistência", Aline Tima quer entender e ressignificar o anonimato de um indivíduo na multidão. Ser anônimo em uma horda é uma potência.

 

 

"O anonimato na massa é visto como negativo, gera a desindividualização, torna a pessoa solitária e amedrontada pela escassez de laços urbanos, trocas e relacionamentos, mas ele também pode ser um instrumento de crítica e transformação. O anonimato na multidão pode ser uma forma de se potencializar. E a imagem da multidão independe da quantidade. 

 

A multidão não é definida, ela sempre foi vista como a sombra do social. Não tem definição sociológica e política, e os poucos que refletiram sobre ela, como Antonio Negri, preferiram explorar sua potência. A horda é uma das formas da multidão se comportar. Meu projeto quer ressignificar a horda anônima como uma forma de comportamento público da multidão em São Paulo - e entender sua potência." 

 

 

O projeto:

Para discutir e ampliar as questões de anonimato e multidão, o projeto vai ativar a produção de "dispositivos performáticos de resistência" - como, por exemplo, máscaras e balaclavas que tornam qualquer cidadão um ser anônimo na grande metrópole - e reunir pessoas em uma horda. Em diferentes formatos e estéticas, ações serão realizadas em locais de identidades distintas na cidade de São Paulo incitando à interação das pessoas na criação (com tutoriais em vídeo e um fanzine) e na participação (in loco, com a formação de hordas anônimas) do estudo. Dentre os locais escolhidos, ambientes que proporcionam lazer e descontração para as mais diversas classes sociais: as festas promovidas nas periferias pelas irmãs Okereke, o Carnaval de rua de São Paulo e um evento na Galeria Melissa.

"Ser anônimo em São Paulo já é um ato de resistência, e utilizar uma cidade desta magnitude como palco para esse laboratório é uma maneira potente de ativar e explorar a invasão de uma horda anônima. O projeto dá sequência de forma orgânica e evolutiva às nossas performances anteriores dos 'dispositivos performático de resistência'. Porém, os tutoriais em forma de vídeo na internet, bem como vocação do projeto para a integração com a multidão o colocam num patamar de descoberta e ineditismo, aprofundando os questionamentos sobre multidão e identidade"

 

 

Funcionamento: 

O projeto será documentado e dividido em duas etapas: primeiro, tutoriais online ensinam a produzir seu próprio dispositivo performático de resistência. Segundo, nas ações em si, a própria multitude anônima registra os encontros, cada um com suas câmera de celular e transmissões ao vivo pelo Facebook. O desenvolvimento do estudo também pode ser acompanhado por posts na plataforma Meio-Fio.

 

 

 

Projeto refletido por Aline Tima com a conexão de Duda Porto de Souza