Esfinge Cidade

Zé Vicente

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Reunindo vertentes do seu trabalho visual; colagem, intervenção urbana e instalações com video mapping, Zé Vicente imagina uma "Esfinge Cidade". Colagens tridimensionais construídas a partir de materiais abandonados que permitem o ressurgimento de seres, ideias e corpos que foram sufocados e escondidos pela cidade.

"'Meio-Fio é aquilo que permeia diferentes círculos, lugares e bolhas de São Paulo'. As camadas da cidade, as histórias, peles e narrativas marginalizadas estão muito mais vivas do que se imagina. Nas praças, nas esquinas e na periferia tudo pulsa e se reinventa diariamente. O projeto 'Esfinge Cidade' busca remixar imagens de corpos e objetos descartados, revelando realidades escondidas na forma de colagens escultóricas inseridas na paisagem urbana. O que está segregado, o rejeito, a sobra, o resto nos serve de matéria-prima."

 

 

 

O projeto: 

Descartes urbanos (caixas de papelão, tubos, tecidos e plásticos) revestidos de lambe-lambes e reposicionados pela cidade como seres grandes, impositivos, que não só tem olhos, como demandam ser vistos.

 

"O caráter monumental dessas intervenções traz uma mensagem clara, gritante até: agora vocês vão ter que me olhar nos olhos, vão ter que encarar e reparar - no duplo sentido de reparo. Acredito que a força desta iniciativa esteja ligada à inclusão e, até, num acerto de contas de pessoas socialmente segregadas, com realidades não sonhadas, com desejos abafados, com o defeituoso, com o inadequado. Por isso, ao falar de pessoas e da cidade, fez todo sentido a figura da esfinge. Ela é um misto de corpo humano com arranha-céu. Ela é uma colagem em si, metade homem metade animal, metade deus metade ruína, que, assim como São Paulo, abre os olhos e diz: 'Decifra-me ou te devoro'."

Funcionamento:

Além das intervenções pré-produzidas no seu atelier e dispostas em diversas ruas, cantos e quinas de São Paulo, durante um mês haverá uma instalação/performance na Galeria Melissa conectando tudo. Ali, as paredes serão preenchidas por figuras enormes, como totens e esfinges de olhos fechados. Com performances noturnas da atriz e performer Glamour Garcia e projeções mapeadas, as esculturas ganham movimento e os olhos se abrem.

 

 

Projeto refletido por Zé Vicente com a conexão de Glamour Garcia