BlasFêmea

Linn da Quebrada

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Em um experimento audiovisual documental - uma obra de fricção entre realidade e ficção -, Linn da Quebrada quer explorar a potência feminina nos diferentes corpos que caminham pelos meios-fios de São Paulo, inclusive o seu.

"Quando falamos de meio-fio, falamos de margem, de rua, da cidade. E falamos, principalmente, de corpo. Do corpo que se encontra neste meio-fio. Do corpo que se encontra por um fio. Prestes à. Eu quero descobrir esse corpo. Falar do meu corpo. Entender, junto com a construção desse material, o que é realmente relevante para ser criado hoje. O que eu posso criar com essas ferramentas. Neste lugar, neste momento. Aqui-agora. Estar no meio-fio também é estar na corda bamba. É também incerteza. E é para isso que estou me disponibilizando. Para construirmos juntos esse meio-fio; a partir do encontro. De mim, do meu corpo, da minha história, meus territórios, desejos, medos e afetos com a cidade. Meu encontro com as periferias, as margens, as pessoas que estão ocupando esses espaços - as translesbichas, estranhas, queer."

 

"Além de um projeto que revele o lugar ocupado atualmente por esses corpos, é um documento sobre como esses corpos fazem de suas fragilidades, as suas potências. O poder do feminino e a ameaça que carregam em si. A maldição por terem experimentado do fruto da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Sua paixões, novas Evas, que rebelaram-se e quebraram a costela de Adão. Aquelas que arrancaram os peitos, os pintos, cortaram os cabelos e fugiram do Éden. Com nossos joelhos dobrados no chão, em oração diante da ereção, mas agora sem cobrir os nossos dentes afiados."

O projeto:

Um vídeo em formato de curta-metragem que mistura as diferentes formas de expressão artística de Linn e navegue pelas histórias de pessoas que, assim como ela, usam o seu corpo feminino como forma de experimentação.

 

"Meu processo artístico é formado a partir do teatro, da dança, da performance, do cinema e, atualmente, da música. Com esse projeto eu teria a possibilidade de juntar todas essas experiências. De transitar por todas elas, ou mesmo descobrir como potencializar através do vídeo e da música, um discurso estético do corpo. "

 

Funcionamento:

A partir das músicas de Linn, suas histórias e círculos, o filme será captado ao longo de um mês em conjunto com uma equipe audiovisual que compartilhe do tema. A ideia é contar a história de pessoas marcadas pelo signo feminino, independente do corpo em que estejam - seja feminizado com pau ou com buceta - e usar do poder da música e da imagem para romper paradigmas e desconstruir o preconceito. 

 

 

Projeto refletido por Linn da Quebrada com a conexão de Eduardo Costa