"Eu não sou e nem quero ser uma diva!"

"Muitas vezes, sinto que as pessoas que atuam com arte são colocadas em um território sagrado, tornam-se ícones, imagens. Através dos filmes, novelas ou histórias em que atuam, desfrutamos de suas aventuras no conforto de nossas vidas. Vivemos seus amores, suas riquezas e suas alegrias; vivemos até seus medos e perigos. E quando acaba, ainda estamos seguros.

Já ouvi: 'Você é tudo o que eu gostaria de ser, mas não posso. Não tenho coragem'.

Por que será? Diagnostiquei algo que acontece comigo e que chamo de ‘Caso de Duplo A’. Seu efeito ocorre quando nós, artistas, somos interessantes para curtidas no feicetruk, para tirar fotos, para nos tornarmos investigação de mestrado, exemplos de lifestyle, influências do mundo virtual, etc., mas, talvez, não tão interessantes assim para trocar uma ideia – que não seja de trampo – e levar para casa. A relação que se cria é de Admiração e Aberração. Duplo A.

Diva, absoluta, perfeita, praticamente anjos ou demônios que não tem sexo. Não fazem sexo, não trepam. Só estão ali para nos entreter e viver coisas 'que eu não tenho coragem de viver no meu próprio corpo'. Porque, apesar de louváveis, algumas escolhas são perigosas.

O que busco para mim não são mãos que apenas aplaudam: procuro mãos que afaguem, puxem, chacoalhem quando necessário, toquem, masturbem, cocem onde eu não alcanço – mãos que nos levantem. Um outro tipo de colmeia, acredito em parceria: não quero e nem estou buscando uma plateia."

 

Linn estava na L'amour Night Club, no centro de São Paulo, quando as fotos foram tiradas.

 

 

 

Créditos: Vtao Takayma e Nubia Abe