Lançando mão de diferentes linguagens, os quatro são os porta vozes de novas narrativas até então camufladas de São Paulo. No espaço Meio-Fio dentro da feira, os três processos criativos se entrelaçam e formam uma estrutura transitória com elementos que provocam e libertam os espectadores. 

O tecelão Alexandre Heberte encerra sua viagem pelos 33 cantos da cidade com uma performance de longa duração. A bordo do seu tear ele vai confeccionar as últimas peças do Trama São Paulo durante cada segundo do evento. Um livro com fotos e seus relatos estará disponível ao público interessado em conhecer sua jornada em detalhes.

Uma obra audiovisual, um "transclipe", como se refere, batizado de blasFêmea sintetiza os anseios de MC Linn da Quebrada. O projeto explicita em letra, música, imagem e atitude, a sua luta em defesa do feminino e da liberdade de gênero. 

Para as irmãs Tasha e Tracie Okereke as divindades orixás são espelhos das mulheres pretas das favelas. A dupla investigou a fundo referências das religiões de origem africanas para confeccionar uma coleção de roupas e acessórios suntuosos. Um casting 100% composto de mulheres negras incorporou as deusas orixás em um desfile-performance aberto, sem backstage e sem primeira fila. A combinação dos dois trabalhos fundamenta o coletivo MPIF'(Mulheres Pretas Independentes de Favela). Na feira a coleção estará distribuída no "dispositivo camelô", suporte expositivo que faz referências aos ambulantes de rua. 

O espaço Meio-Fio na SP-Arte, que tem a curadoria de Paula Garcia e direção criativa de Erika Palomino, marca o desfecho da primeira edição do projeto e a sua retomada em 2017. Outras narrativas inspiradoras serão exploradas. Mais pessoas que levam a vida como processo criativo serão descobertas.