Me lembro de todo e qualquer "não" que recebi ao longo dos meus 22 anos de idade. Os que doeram, machucaram, que desceram pela garganta como farinha pura sem a previsão de água. Os que foram difíceis de engolir.

Os piores "nãos" são aqueles que não podemos mudar.

E eles sempre foram para o meu padrão estético: "negra, cabelo crespo curto estourado por química, e gorda". Eles ecoavam de todos lugares em que eu tentava me encaixar, e, quanto mais eu tentava, mais eu me maltratava. Me forçava a entrar em uma porta, um padrão, que não me aceitava. Não, não foi de um hora pra outra que eu virei a mulher que eu sou hoje. Meu manequim "médio" veio a força. A  maturidade veio com o tempo. Eu ouvia um não do espelho e um não da balança e tudo o que eu tinha me assustava. As curvas e o excesso de um biótipo que era legado da minha família. E como eu não aceitava o que veio antes de mim? O que me deu vida? Quando estudei - e respeitei - minha cultura, quem me fez, meus anscetrais que me respeitei. Eu sou negra, com corpo curvilíneo, boca carnuda, cabelo crespo. Os padrões-passarela não me definem, minha história me define.

A DMAMACITA é minha forma de mostrar respeito aos outros corpos. Uma marca que mostra para todas as mulheres como o corpo é uma tela, uma obra, um templo, um monumento que você tem que cultuar e fazer transcender luz e harmonia. Nunca esconder. A proposta vai sempre ser transmitir sua essência e seu maior valor através do corpo. Minhas coleções são sempre pensadas no público curvilíneo, do P/M/G ao GG e EG". Para os editoriais, escolho modelos que nunca fizeram trabalhos fotográficos para proporcionar a sensação de como é o mundo da moda inclusivo. Um mundo que respeita as diferenças e quer pessoas reais refletindo sobre aquelas que irão comprar as peças. Quero sempre passar o poder feminino, transmitir a igualdade e sororidade entre nós mulheres. Somos maravilhosas e únicas e os padrões e estereótipos nos obrigam a ser meros bibelôs. Mulheres com rotinas cansativas podem estar bonitas e valorizadas sem comprometer suas vidas, se submeter a enquadramentos ou se violar para entrar nos padrões.

 

 

 

 

 

 

Daniela Tinório está participando da Votação Meio-Fio

Depois das trocas de inspirações, histórias e experiências chegamos a uma nova fase do Melissa Meio-Fio: a exposição de ideias. Os Refletores foram convidados a desenvolver um projeto autoral que revelasse suas singularidades e devolvesse um pouco da força criativa que São Paulo oferece diariamente. Orientados por um Conector, eles receberam a chance de olhar para si mesmos, suas expressões e potências e criarem algo que refletisse seu percurso até aqui.

 

Descubra os projetos dos refletores e vote no seu favorito, 3 deles serão escolhidos e materializados em 2017