"Investida pela ideia de ‘conhecer o meu público inspiração’, convidei a fotógrafa negra mais visionária que conheço, a Roberta Marreiro, para registrar uma das noites mais interessantes de São Paulo. Saímos com um punhado de amigos com destino certo – a festa mais ‘liberty’ que já vi na vida: a Batekoo SP. Um lugar que você vai para se sentir em casa. Colorido, lotado de gente verdadeira, com energia forte e essência do bem.

A festa prega o que eu prego: o direito livre, o direito de ser quem você quiser até atingir a sua felicidade máxima.

O Movimento Batekoo foi criado em 2014, em Salvador, e gira o Brasil trazendo essa liberdade e representatividade na vida de seus frequentadores e seguidores (você pode até ver um pouco do que foi o evento no RJ pelos olhos do Apolinário). Ali estão reunidos, além da comunidade LGBTS, negros, pobres e ricos, sem distinção ou preconceito. É bonito de ver. Confesso que meu coração pulou a cada batida e que me encantei por cada personalidade que vi. Fiquei lá conhecendo pessoas, estilos e histórias até o dia amanhecer – completamente dominada pela desenvoltura que nos instiga a ‘desprender de padrões’ e a se aceitar como único.

 

 

Enquanto convidava os seguidores do movimento para serem fotografados no seu momento de alegria e descontração, fui descobrindo que muitos vieram de outros estados para estudar ou trabalhar e se apaixonaram por São Paulo e tudo o que tem de conquistador por aqui. Ouvi de cada um que sim, que, por serem gays, lésbicas, trans ou "travas", diversos lugares e festas os diminuem e os excluem – enquanto a Batekoo os faz se sentir mais que atendidos: representados. Lá é o local onde você encontra pessoas livres e que não se sentem desiguais ou oprimidas de alguma maneira. E são essas pessoas que eu precisava mostrar, que inspiram meu trabalho.

 

A experiência foi só uma comprovação do que eu já sabia: São Paulo é uma cidade acolhedora, cheia de gente que explode luz e reflete representatividade na vida de quem se abre para o novo.

A Batekoo está aí, pronta para preencher o vão que a sociedade abre entre as pessoas que não sucumbem a padrões e estereótipos. Somos um só e devemos nos enxergar assim.

Essa noite foi um dos momentos em que mais me senti criativa, estimulada a atingir todos com minha arte e meu modo de criar. Me influenciou e abriu duas vezes mais o meu olhar criativo. A moda é seu modo de viver. "

Daniella registrou a edição da Batekoo que aconteceu no dia 10 de Setembro junto com o Coletivo Sistema Negro. A festa foi no centro da cidade, no Largo São Bento.

 

 

Fotos: Vtao Takayma e Rô Marreiro