"Por que a gente faz o que faz?

Porque o afronte não se constrói sozinho. Não se cria peças que abarcam os diferentes formatos de corpo e, quando se cria, querem chapar seu potencial até chegar em uma forma específica e inalterável. Querem fincar em nossas mentes que uma saia só pode ser uma saia, para ir nas pernas e, de preferência, em pernas ditas de mulher. Toda peça é um conjunto de possibilidades, um tecido explorável, aberto à nossa perna, ao nosso braço, a nosso qualquer coisa. E esse modo de ver os looks é de um questionamento sem fim, uma pergunta ácida e franca do porquê de se engessar religiosamente no óbvio, em especial no meio da moda, que gera tanta roupa monstruosa, recortada, inusitada, maravilhosa, quase um desafio para quem veste. Mas, infelizmente, no fim se vende o básico para que o conceito se feche em uma redoma pouco acessível.
Compartilhar esses conceitos é muito mais interessante e prazeroso. Inspirar o próximo é uma aspiração.

Impactar o outro é quase uma missão para uma Estilera, que usa, ostensivamente e aleatoriamente, do sempre mesmo para tentar criar algo novo."

Brendon é de Itaquera, Ricardo mora no Brooklyn, os dois são do rolê no centro da cidade. Veja mais das produções da Estileras.

 

Fotos: Vtao Takayama