"Nos desfiles do SPFW deste ano eu esperava ver algo inovador, algo condizente com o tema TRANS escolhido - algo sobre transformação, transgressão, que fizesse jus ao momento de transição que vivemos. Releituras, não cópias. Ouso dizer que isso não aconteceu mas, na real, não quero nem focar nos desfiles, quero falar do público.

O dresscode do SPFW virou o uniforme de blogueira bem sucedida.

Roupas, bolsas e sapatos de grife são tão essenciais para estar dentro do mood quanto o cabelo iluminado com babyliss escovado (já fui cabelereiro baby). As meninas para lá e para cá da tenda eram, assim, uma construção sem fim. Óbvio, igual, extremamente entediante. Saudades do risco, do diferente, do paulista mais autêntico. Para mim, essa forma de blogueira construída pode se aposentar. Elas foram importantes para o momento de quebra de padrão, mostraram que mulheres "reais" podem ser referência e desceram um pouco o patamar das modelos de moda, mas acho que agora precisamos descer mais um nível e nos colocar em posições mais horizontais. Se um dia a magreza extrema ou a estética heroin chic já foi opressora, essas regras para entrar no hype da internet já estão bastante afuniladoras. Todo mundo tem a liberdade de ser o que quiser, que isso fique bem claro, só é chato ter que se adequar a uma estética para ser aceito em um determinado lugar - ainda mais quando estamos falando do espaço e do tempo em que teoricamente você pode (e deve) ser tudo o que está dentro de você, transgredir e não só mais uma cópia de blogueira bem sucedida.

 

Ao pessoal copiado e sem graça, nosso extremo tédio:

Siga quem vale a pena: @brechóreplay@magavilhas, @cztxx@chantalsordi@cemfreio@estileras, @guiblum "

 

 

Fotos: Vtao Takayama (também siga)