No último post compartilhei com vocês os pontos importantes que conversamos e estudamos sobre a MULTIDÃO. Falei também sobre a necessidade de ressignificar esse termo que sempre sofreu a tentativa de ser definido e categorizado, quase sempre de uma forma negativa. Hoje vou falar sobre HORDA que é uma das maneiras de uma multidão se comportar. Segue a definição do termo encontrada no Dicionário Caldas Aulete:

Aqui, a ideia de horda se relaciona e é exemplificada com as invasões de tribos nômades que foram inteiramente dizimadas por grandes imperadores. Grupos de pessoas que desestabilizaram impérios. Essa definição, que estereotipa negativamente esse tipo de reunião de pessoas, se utiliza de julgamentos de valores muito mais profundos do que os encontrados na definição no dicionário da palavra multidão (vide definição do último post).

A horda é um fenômeno formado por um coletivo de pessoas insatisfeitas com algo e a idéia de nomadismo faz com que ela sempre esteja em movimento, em constante transformação e desrespeitando a idéia de fronteiras.

 

 E essa insatisfação é um ponto comum que encontramos nos membros que compõem a horda. Por exemplo:

Por sempre estar em movimento e em transformação, isso causa medo e dúvida no estado engessado, que não aceita qualquer tipo de desordem ou descontrole.


Se pensarmos por esse viés, da horda como uma multidão insatisfeita, podemos dizer que se a população terrestre indignada e insatisfeita se organizasse em grupo, como horda, poderia desestabilizar um sistema, como, por exemplo, as tribos nômades que são denominadas hordeiras por abalar, desorganizar e desestruturar impérios.

Talvez ressignificar a idéia de horda e multidão seja uma maneira de empoderar populações e trazer consciência de seu próprio poder para as mesmas.

Horda de refugiados mulçumanos em uma estação de trem na Hungria

Somos todos horda. Vivemos em um momento em que cada vez mais a polícia e o estado consegue nos manipular e controlar cada passo em que damos na vida, e o pior disso tudo é que nem sabemos como e onde estamos sendo dominados.

 

Gostaria de exemplificar o quão potente pode ser a horda se ela se reconhecesse como tal. Diariamente vemos multidões de pessoas entrouxadas dentro do sistema de transporte público.

Vocês conseguiriam imaginar o que seria se as pessoas que estão nessa foto, nesse momento, decidissem não pagar o valor de R$3,80 e simplesmente pular a catraca? Vocês acham que a equipe de segurança do metrô conseguiria controlar a população? Vocês acham que a população precisaria se utilizar da violência a para conseguir pular a catraca?

A horda passa sem respeitar fronteiras. A catraca aqui é uma fronteira que limita o espaço público da população. A ideia de catraca desrespeita a idéia do espaço público e o preço da passagem limita e segrega o acesso da população de ir e vir. Isso é um tipo de violência que sofremos diariamente. Vocês ainda acham que pular a catraca é uma forma de violência?

Esse exemplo fica bem claro do que eu, como artista, acredito que possa potencializar uma horda.

 

Ressignificar é viver e utilizar termos que foram estereotipados negativamente para transmitir o medo e a dúvida da potência da união de pessoas. Acredito que a questão que quero levantar aqui seja como conseguir ressignificar a horda de uma forma não violenta mas desorganizada, bagunceira porém humana e que mostra a indignação de cada um de maneira que fuja do controle e confunda o estado e a polícia. Como um carnaval, única data do ano que nos foi dada para poder agir como horda, e como as tribos bárbaras, somos hordas e conseguiremos desestruturar o que quisermos a partir do momento em que nos identificarmos como uma.

 

#somostodoshorda #somostodosmultidão

 

 

 

 

 

O projeto de Aline, Horda Anônima, faz parte da Votação Meio-Fio

Depois das trocas de inspirações, histórias e experiências chegamos a uma nova fase do Melissa Meio-Fio: a exposição de ideias. Os Refletores foram convidados a desenvolver um projeto autoral que revelasse suas singularidades e devolvesse um pouco da força criativa que São Paulo oferece diariamente. Orientados por um Conector, eles receberam a chance de olhar para si mesmos, suas expressões e potências e criarem algo que refletisse seu percurso até aqui.

 

Descubra os outros projetos e vote no seu favorito, 3 deles serão escolhidos e materializados em 2017