Chegada ao mundo com um corpo estranho a si mesma, Linn da Quebrada passa os dias descobrindo o potencial de tudo aquilo que concebe seu reflexo no espelho; sangue, pele, sexo, articulações e voz. Em casa, na rua, ou no silêncio, ela entra em contato com tudo o que sente - e é obrigada a sentir - para depois expor ao mundo através de arte. Performance, palco, música e grito.

"Eu sinto que meu corpo é um processo inacabado. Eu não quero me finalizar ou finalizar uma obra, e é justamente por isso que venho experimentando meu corpo em diversas instâncias, espaços e territórios"

Ao se permitir entender quem ela é, a atriz, performer e MC consegue articular para o mundo tudo o que uma pessoa pode ser. Além de homem e mulher, Linn acredita que existem tantos gêneros e sexos quanto existem corpos, e luta para que todos sejam vistos, compreendidos, respeitados - e amados. "Eu quero parceria, não quero aplausos. Quero mãos que cocem onde não alcanço".

Luta, berro, manifesto, denúncia. Se terrorismo é o "modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror", o "Terrorismo de Gênero", exercido por Linn, é o ato de jogar o medo da sociedade contra ela mesma. Escancarar o desconhecido na frente de todos em forma de arte, música, manifestações e palavras que precisam ser escutadas até se tornarem normais.

"A gente vai estar em todo lugar. A gente vai estar onde você menos esperar. Você vai poder sentir nossa respiração bem próxima de você."

 

MC Linn da Quebrada faz parte do grupo de musicistas que encantam a cidade (e o Brasil inteiro) com seus debates de gênero, sexualidade e liberdade, como Liniker e os Caramelows e o paraense, Jaloo.