"Todo mundo que mora em São Paulo vive com a cidade um relacionamento cheio de altos e baixos: uma paixão fugaz, alguns momentos de amor e muitos momentos de raiva.

Eu, uma vez, quis a separação: não aguentei e resolvi fugir. Me joguei nos braços de outra cidade tão grande quanto: NY. Apesar de meu trabalho ser silencioso e introspectivo, é nas cidades grandes que me encontro. Achei que NY seria a salvadora dos meus problemas – ela, que é a terra dos sonhos, das conquistas, e todo aquele blá blá blá. O começo do namoro foi incrível, tudo lindo e perfeito. Eu trabalhei em galeria de arte, fiz assistência para fotógrafo de moda, fiz freelas, mas, como todo namoro, quando você coloca muita expectativa, você se frustra.


Tudo é lindo através das redes sociais. Ser turista em NY é incrível mesmo, mas morar é outra coisa. É exaustivo, a cidade te engole. As melhores pessoas do mundo vão tentar uma vida lá e você compete o tempo todo com muita gente. O pedaço de sol na calçada é muito pequeno perto da quantidade de gente querendo se esquentar, e a cidade tem um coração gelado. Com o passar do tempo, o nosso romance azedou e eu resolvi voltar.


Que engraçado, o começo desse novo velho romance com São Paulo foi lindo. Tudo parecia igual, mas diferente. Eu me sentia meio turista. Via tudo com outros olhos. As pessoas estavam vivendo a cidade de uma forma nova. O centro estava mais vivo, a arte mais pulsante.

A cidade mudou ou fui eu que mudei?

Descobri que não existe cidade perfeita, mas existe onde a gente se sente bem.
Não escolhi nascer em São Paulo, mas definitivamente escolhi São Paulo para viver."

 

 

 

Fotos: Vtao Takayama