Na tarde do último dia 25 de Novembro demos o workshop "Das Coisas Nascem Coisas" no estúdio Esther, a convite da Pharus Bright Design. O nome desse workshop é uma homenagem ao clássico livro homônimo do designer Bruno Munari, uma espécie de manual bastante didático que apresenta uma série de estratégias para desenvolvimento de projetos. 

 

Para desenvolver o workshop tomamos partido dos materiais que já haviam sido coletados na rua pelos participantes e, através da nossa metodologia de trabalho, transformamos esses materiais em objetos. Para isso, preparamos uma apresentação com estratégias de abordagem para a solução de problemas e referências que exploram a mesma:

 

1. Das histórias nascem coisas

Como criar produtos e soluções através de histórias, narrativas, anedotas, personagens? Colocamos os dirigíveis de Hector Zamora como referência para a construção de um mito.

 

 

 

2. Expanda seu léxico

Enfatizamos o processo de pesquisa e produção de conhecimento como uma das bases da criação do atelier atualmente. Exemplos como a Pewter Stool de Max Lamb, e a Hair Highway, do Studio Swine. 

 

 

 

3. O exercício de uma obsessão

O que tem de mais profundo no seu trabalho, as motivações mais profundas que acabam, naturalmente, repetindo-se rotineiramente na produção. Tom Sachs, Yves Klein e novamente Max Lamb, são referências de artistas e designers que exploram temáticas particulares de seus universos pessoais. 

 

 

Etapa 1: Observar

Na primeira etapa do workshop, o objetivo era desenhar os objetos dispostos na mesa, sem encostá-los. Estavam expostos materiais de diversas origens, cores, formatos e texturas, e o foco era tentar criar composições entre as formas, uní-los, conectá-los e editá-los usando somente a imaginação e desenho sobre o papel. Nessa primeira etapa, a comunicação foi feita apenas pelo desenho, todos ficaram em silêncio durante 30 minutos e um sistema de rotatividade permitiu que diversos pontos de vistas fossem explorados e os desenhos já existentes fossem complementados.

Foi incrível ver como a criatividade de cada participante se desdobrou em desenhos e conexões muitas vezes avançadas e inusitadas, quase automaticamente conduzidas para a criação de formas e conexões já atrelados à função. É um outro desafio conseguir descolarmos nossa força criativa deste binário forma/função.

É interessante observar também que o traço, ao mesmo que tempo em que é importante na compreensão de geometrias, acaba sendo uma ferramenta com limites. Como arquitetos e designers, passamos muita parte de nosso tempo elaborando projetos na frente dos computadores, em desenhos bidimensionais e representações gráficas que, por mais precisas que sejam, ainda não substituem por completo a interação física/mecânica com a matéria prima.

Etapa 2: Tocar

Na segunda etapa, ainda em silêncio, os participantes puderam interagir com o material, testando suas ideias mirabolantes. Todos avançaram para as matérias primas testando as diferentes combinações ilustradas na mesa. O desdobramento desta etapa foi muito importante para observar o quão limitado acaba sendo o desenho: aquele encaixe perfeito imaginado no papel, pode não funcionar na vida real. Novas soluções surgiram e foi estimulante observar como os participantes começaram a desenvolver projetos e sistemas.

Etapa 3: Refletir

Todo o processo do workshop, da sua preparação até o resultado final, foi muito rico e nos trouxe algumas reflexões: tão importante quanto planejar e projetar um workshop, é colocá-lo em prática, pois somente assim poderemos, de fato, descobrir se tudo aquilo que planejamos irá funcionar. Trabalhar com pessoas e processos criativos geram resultados que muitas vezes fogem do controle, por se tratarem de fatores imprevisíveis. Criar dinâmicas e exercícios e executá-los é muito parecido com a primeira e segunda etapa do próprio workshop #InceptionFeelings. Primeiro temos que criar nossas hipóteses, imaginar como as coisas vão funcionar, se encaixar; e, no momento em que colocamos tudo o que pensamos em prática, enxergamos se as hipóteses funcionam para, então, fazer os ajustes necessários. 

 

Essa é a beleza do processo criativo, conciliar aquilo que imaginamos e sonhamos com a realidade, infinitamente mais complexa do que podemos prever.

Fotos: Alex Libotte 

GIFs: André Romitelli e Martina Brusius

 

Agradecimento especial: Marcio Motta e Estefan Richter pelo convite, e a toda a turma da Pharus que topou esse workshop. Esperamos que tenham gostado!

Participantes: Camilla Mattos, Lucca Bacchiocchi,Marcela Scheid, Marcio Mota, Alex Libotte, Estefan Richter, Gabriel Fernandes, Jade Aiello, Fabricio Rodrigues, Cris Inoue, Henrique Lucio.

 

Para saber dos próximos workshops siga a página do Pistache Ganache

 

 

 

 

 

 

 

O projeto de André e Martina, Oficinave, está participando da Votação Meio-Fio

Depois das trocas de inspirações, histórias e experiências chegamos a uma nova fase do Melissa Meio-Fio: a exposição de ideias. Os Refletores foram convidados a desenvolver um projeto autoral que revelasse suas singularidades e devolvesse um pouco da força criativa que São Paulo oferece diariamente. Orientados por um Conector, eles receberam a chance de olhar para si mesmos, suas expressões e potências e criarem algo que refletisse seu percurso até aqui.

Descubra os outros projetos e vote no seu favorito, 3 deles serão escolhidos e materializados em 2017