"O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Além de contar com uma morte a cada 26 horas, por razões homolesbotransfóbicas.

Isso das que são notificadas. Pois ainda há inúmeras mortes que nós nem ao menos ficamos sabendo. Corpos que não importam. Vidas que não merecem ser vividas. Em 2015 foram registradas 318 mortes no Brasil.

Mas a estatística é estática, pouco estética. E talvez seja necessário mostrar na prática, de forma um pouco poética, para aquelas que são céticas, o que significam esses corpos fora da métrica - e, assim, sairmos do nosso estado estático e acabar com essa violência patética.

Baseado em carne viva e fatos reais
é o sangue dos meus que escorre pelas marginais
e vocês fazem tão pouco mas falam demais
cutucando a ferida
mas precisam de nós
pois duvidam da vida
fazem filhos iguais
assim como seus pais
tão normais e banais
em processos mentais
sem sistema digestivo lutam para manter vivo o morto
vivo
morto
vivo
morto
morto
morto
morto..
VIVA!

Foi com a intenção de materializar essas mortes, que nós, Coletive Friccional, criamos a performance/intervenção "Contar os corpos e sorrir?".

Na sexta-feira, dia 7 de outubro, foi realizada pela sétima vez a intervenção em grupo, no Capão Redondo. Mais informações (e futuras performances) podem ser vistas no facebook do coletivo.

 

 

 

Performance e realização: Coletive Friccional 

Fotos: Conrado Carmven

Registro em vídeo e edição de: Christian Braga/Jornalistas Livres