Enquanto o mercado de moda vai tentando se adaptar às mudanças no calendário, entrando na ideia do see now, buy now (quando as peças do desfile já estão disponíveis para compra no instante em que as luzes da passarela se apagam), Ronaldo Fraga parece andar no seu próprio ritmo. Enquanto o foco das equipes criativas por trás da maioria das marcas que desfilaram no SPFW42 estava em vendas, o designer mineiro dizia que o tema Trans da semana de moda paulistana não tinha a ver com roupas. “O mundo não precisa de mais um desfile”. No backstage de sua apresentação, composta 100% de mulheres trans (inclusive a nossa Glamour) ele falava que “a história das roupas só existe porque por trás delas existem pessoas com histórias” e, pensando nisso, ele criou um único vestido em várias versões (com desenhos pintados pela própria mão e depois impressos nas peças). O objetivo de Ronaldo Fraga foi chamar a atenção do público a respeito da situação de violência cometida contra essas mulheres - e eu acabei entrando em uma reflexão sobre a indústria da moda também. 

Sobre essa velocidade desenfreada e como isso também é um tipo de violência. Compre, compre, compre! Agora, agora, agora!

Qual é o sentido de tudo isso exatamente? Ao acelerar o processo de criação e de produção das coleções nós estamos colocando ainda mais pressão nas costas de pessoas que já estão trabalhando no limite, isso sem falar na sustentabilidade de toda essa cadeia. Ao mesmo tempo em que tudo fica mais rápido e imediato, fica mais banal e descartável. Eu começo a pensar: para onde foi a beleza, aquela excitação de esperar por algo que você quer, poder curtir com calma, sentir? Será que um dia chegarei a um desfile onde os próprios modelos já estarão com as máquinas de cartão, passando a venda e tirando a roupa pra gente levar? E a história, pra onde vai? Fico pensando...

 

 

Fotos: Thomas Rera

 

 

Votação Meio-Fio

Depois das trocas de inspirações, histórias e experiências chegamos a uma nova fase do Melissa Meio-Fio: a exposição de ideias. Os Refletores foram convidados a desenvolver um projeto autoral que revelasse suas singularidades e devolvesse um pouco da força criativa que São Paulo oferece diariamente. Orientados por um Conector, eles receberam a chance de olhar para si mesmos, suas expressões e potências e criarem algo que refletisse seu percurso até aqui.

Descubra os projetos dos refletores e vote no seu favorito, 3 deles serão escolhidos e materializados em 2017