“Venha ver

Venha ver eugênia

Como ficou bonito

O viaduto santa efigênia

Venha ver

 

Eu me lembro

Que uma vez você me disse

Que um dia que demolissem o viaduto

Que tristeza, você usava luto

Arrumava sua mudança

 

E ia embora pro interior”

 

- Adoniran Barbosa



"Como sobreviver na vertigem de imagens que São Paulo proporciona e que saltam de todos os lados? Eu me sinto desafiado para conseguir focar e processar informações tão desconexas. Preciso reaprender a ver?

A arte manual oferece certo foco aos olhares e a oportunidade de uma percepção mais estável além de travar uma batalha com sua própria sobrevivência. Arte não é luxo, é necessidade. Mesmo em tempos de economia difícil, o incentivo à arte deveria ser indispensável, afinal, é através dela que conseguimos ligar o material ao espiritual e garantir que nossas mentes não se percam em tempos de tecnologias tão sedutoras."

A peça foi confeccionada por Gustavo com pedras brutas e crochê e pendurada no ferro fundido da estrutura do Viaduto Santa Efigênia.

 

“Escolhi esse lugar por motivos totalmente opostos. De um lado, o viaduto histórico e representativo para a cidade oferece muita sinergia com o crochê; liga um ponto a outro e oferece novas possibilidades. Por outro, é um lugar de passagem, onde as pessoas andam com pressa, muito dispersas com o bombardeio de informações em pleno sábado à tarde. Esse é o contraponto do meu processo criativo que, assim como crochê, depende de tempo e paciência. Observar de que forma as pessoas, sempre com muitas pressa, observariam aquela peça amarrada na estrutura do viaduto. Sem caráter comercial, sem preço, sem explicação. De que forma reagiriam? Alguma reação seria despertada? Quantos segundos elas pensariam a respeito daquilo? As respostas eu nunca terei, mas por que não utilizar o crochê de forma que gere estranheza, reflexão, conforto ou qualquer outro sentimento, por mais fugás que seja, quando se vê uma peça dessas fora de seu contexto habitual?” 

 

 

 

 

Fotos: Danilo Sorrino

 

 

Votação Meio-Fio

Depois das trocas de inspirações, histórias e experiências chegamos a uma nova fase do Melissa Meio-Fio: a exposição de ideias. Os Refletores foram convidados a desenvolver um projeto autoral que revelasse suas singularidades e devolvesse um pouco da força criativa que São Paulo oferece diariamente. Orientados por um Conector, eles receberam a chance de olhar para si mesmos, suas expressões e potências e criarem algo que refletisse seu percurso até aqui.

Descubra os projetos dos refletores e vote no seu favorito, 3 deles serão escolhidos e materializados em 2017