"Com o Brechó Replay, sempre trato dos temas de protagonismo e opressão por meio de imagens e vídeos. Mas, hoje, decidi escrever sobre ele.

Tenho 27 anos e vivi minha infância e adolescência nos anos 1990 e 2000. Indo para o começo de minha história, lá no meu período escolar, sempre tive ao meu redor aqueles que eram os protagonistas – as abelhas rainhas, os ‘bonitos’, os ‘certos’, os que, ainda que não soubessem, me faziam ser condicionado ao papel de coadjuvante. Sempre fui o negro "aceitável", de pele clara, magro em um grupo de brancos. Eu mesmo não conseguia perceber o que acontecia e constantemente me adaptava à cultura e à imagem branca, negando tudo o que eu era – e meu cabelo, minha pele e minha ancestralidade.

Eu realmente vivia na sombra de quem era 'preferido'.

Eu morava no interior (Campinas), onde tudo isso é mais intenso. Foi só quando me mudei para São Paulo que comecei a me questionar. Passei a frequentar lugares novos, galerias, festas de rua, e a VOODOOHOP. Ver outros movimentos foi o ponto de partida para minha desconstrução e reconstrução. Automaticamente, comecei a enxergar que o diferente também era bom. Não era só o garoto de olhos, cabelos e pele claros que era bonito. Existia uma gama gigantesca de pessoas maravilhosas e muito atraentes, inclusive eu.

Aprendi a protagonizar minha própria vida.

Afinal, o filme é meu e eu decido como ele vai acontecer. Por isso, minha plataforma é estampada com pessoas que um dia foram excluídas desse papel por terem ‘defeitos’ que, hoje, vejo como uma qualidade. Protagonistas. É o que proponho para meu público: uma redefinição do olhar. Talvez seja isso. Ficamos involuntariamente viciados em achar um certo padrão bonito, e ponto final; mas não, gente: o diferente também tem que ser abraçado, e – ufa – ainda bem que estamos vivendo o início dessa história. Sempre me sinto realizado quando consigo abordar esse tema.

Atualmente, produzo o styling da @mcsoffia, e, cara, tenho muito orgulho disso. Em uma de suas últimas músicas lançadas, ela veio com a frase: 'crie uma princesa que se pareça com você', e é sobre isso que estou falando! Se eu tivesse uma criança empoderada sendo uma referência de protagonismo na minha infância, toda minha trajetória seria outra.

 

Este post é dedicado a você, MC Soffia. Obrigado por reformular nossa história."

 

 

Eduardo fica atento a todo o tipo de manfestação, cultural ou social, que agita o Centro de São Paulo para ter ideias de editoriais para o Brechó Replay.

 

Créditos: Vtao Takayama e acervo pessoal