Zé Vicente

Artista visual e fotógrafo, Zé Vicente deixa a sua marca de poesia espalhada pelos espaços da cidade.

No dia em que resolvi levar alguns recortes para passear, foi uma espécie de mergulho – mergulhei em São Paulo."

Enquanto você passa de ônibus e olha pela janela, é capaz que veja Zé Vicente olhando fixamente para o nada. "Um autista plástico." Ele vai ter nos braços uma pasta de recortes e estará a procura de formas para intervir sobre os espaços da cidade. Uma falha no concreto, uma poça esquecida na calçada, um azulejo entre os muros.

Dessas pessoas que falam sem pressa, em seu próprio tom, Zé Vicente enxerga pequenas realidades nas brechas do mundo que habitamos. Com suas colagens, vincos viram oceanos, dobras viram escotilhas e buracos no asfalto são janelas para um universo que existe apenas quando alguém repara nele depois de correr atrás de um táxi que já foi embora.

Foto: Vivi Bacco