Gustavo Silvestre

Pernambucano e formado no Brasil e na Itália, o designer-artesão Gustavo Silvestre teve suas coleções desfiladas na Casa dos Criadores. Produziu a SP. ECOERA, maior plataforma de sustentabilidade da moda brasileira, e descobriu no crochê uma forma de ter poder e história nas próprias mãos. Ele divide seu talento em aulas de costura no Presídio Adriano Marrey, em São Paulo.

Meu trabalho é manual, um processo que leva tempo e exige paciência. Tudo em São Paulo é frenético e apresenta um contraste com meu processo criativo. Tento refletir sobre o consumo excessivo da cidade através de projetos que convertem resíduos têxteis em arte."

O mundo pode estar caótico, virado ao contrário, um milhão de pessoas conversando, mas Gustavo estará com agulha e linha, fazendo crochê. O ato, de longe tão calmo e relaxante, é sua forma atual de se relacionar com o mundo. Pelos fios reorganizados nas mais diversas formas, ele consegue exprimir suas preocupações com o consumo excessivo, com o desperdício de materiais e com a necessidade de trocar experiências. Fazer crochê é perceber o tempo de produção, o cuidado, a origem e a história de cada peça. "As pessoas conseguem sentir que aquilo foi feito a partir da energia de alguém." Ao elaborar coleções de joias e roupas artesanais, Gustavo também descobriu que o poder de criar sua história com as próprias mãos – literalmente – é um poder a ser dividido sem ser diminuído. Gustavo implementou o Projeto Ponto Firme na Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos. Além de dar aulas sobre o ofício como forma de geração de renda, o projeto colabora com a diminuição do tempo de pena: a cada doze horas, um dia a menos na cadeia. Poder com as próprias mãos. Os detentos aprendem crochê, "eu aprendo sobre mim mesmo".

Foto: Vivi Bacco