Glamour Garcia

Glamour encanta a cena alternativa de São Paulo desde que era performer da festa Capslock, de Paulo Tessuto. Ela também é atriz, pesquisadora teórico-prática sobre travestimo e performance, e estudante de Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP.

Somos a melhor versão de nós mesmos quando nos deixamos sentir as questões de outras pessoas. Com drama, intensidade – com outra temperatura de corpo."

Ser consciente da pluralidade de ser mil versões de si mesma. Enrola a toalha na cabeça, lava a louça e produz na sala de casa o seu próprio musical. A versão Daniela Garcia. Ou a versão Glamour Garcia, se matando em cena, no palco do Teatro Cacilda Becker, para que o ato a fizesse ser lembrada. São todas versões elaboradas de uma só. Da criança que saiu da loja com seu Power Ranger rosa em mãos, estrela de um espetáculo no corredor de brinquedos, à atriz que viveu Salomé na Casa da Luz, em São Paulo, Glamour parece ter nascido para explorar personas. "Eu não nasci uma menina no corpo de um menino. Eu nasci eu mesma." Inventa línguas e amigos, lê peças enquanto passa creme na cara e cria seus próprios patuás contra o mau-olhado. Espiritualizada, politizada, estudante de artes plásticas e encantada por retratos de famílias reais, Glamour se faz tão livre em si mesma que se encontra em todas as formas de performance: telas, câmeras, palcos, festas ou até quando lembra de ser ela mesma, pelada, assistindo ao Cartoon Network ou chorando com Lygia Fagundes Telles. "Teatro é uma forma de reeditar a vida."


Foto: Vivi Bacco