Bia Bittencourt

Formada em Artes Plásticas com mestrado na ECA-USP, Bia, inspirada pela programação do MoMa PS1 no Queens, NY, criou sozinha a Feira Plana, a mais importante feira de arte impressa independente do país.

Meu trabalho é colocar luz em coisas e pessoas. Seja nas minhas fotografias com flash, seja nos projetos onde convido pessoas para falar, lecionar e expor para o mundo. Isso certamente deve ser um reflexo de tentar ser invisível."

Se você já ouviu a frase "Você escreve tão lindamente. O interior da sua cabeça deve ser um lugar terrível", tem que saber que a Bia descreve a própria cabeça como um emaranhado atulhado de coisas não resolvidas. Ela não só escreve, como também desenha, tira fotos, faz livros, zines, e inventa projetos do nada. Tudo terrivelmente lindo. Ela e sua cabeça são as criadoras por trás da Feira Plana, evento anual no MIS que junta criadores, designers, desenhistas – enfim, artistas – envolvidos com a produção independente para expor e vender seus trabalhos, e da Casa Plana, "o espaço cultural que articula todos os tipos de reflexões sobre o universo da publicação" bem no centro-real-oficial de São Paulo. A Bia não gosta de falar sobre si, mas quem precisa quando tudo o que você faz reflete seu jeito de ver o mundo? Desde o jeito que descreve o pesadelo que antecedeu a primeira edição da Feira – "Sonhei que ninguém apareceu e pedimos delivery de sushi. Estávamos numa quadra de basebol e o dia estava muito nublado" – ao jeito que assume não precisar de estímulos para criar – "Passo o dia inteiro assim, desesperada. É uma necessidade de criar problemas para resolver problemas." Um pensamento final sobre a Bia: pessoas incontestavelmente boas querem que outras sejam tão boas quanto elas.

Foto: Vivi Bacco